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É comum, principalmente quando se fala em primeiro emprego, que o colaborador ganhe certo apego ao local de trabalho se ele está confortável e acolhido naquele espaço. Ao se adaptar bem à cultura organizacional da empresa e identificar-se como peça importante na engrenagem da companhia, muita gente acaba se sentindo “em casa” depois de um tempo.

Não é raro ouvir uma equipe de colaboradores que se considera uma “família”. Apesar de parecer benéfico e agradável à primeira vista, a ideia é rejeitada por especialistas no assunto. O motivo é simples, embora as relações humanas sejam de peso e importância, uma empresa precisa ser levada a sério como tal.

Criar um ambiente “família” trará à companhia dilemas normais familiares. Ao mesmo tempo em que parece unir os profissionais, esse tipo de comportamento também pode afastar, gerar disputas desnecessárias e situações antiéticas. Fora o fato de tornar a demissão muito mais “pesada”.

Segundo Maria Aparecida Rhein Schirato, consultora de RH há 20 anos, é estarrecedor ver como alguns funcionários sofrem muito no momento da demissão. A dor é causada exatamente pelo sentimento de que foi banido de uma família em que ele acreditava-se parte fundamental.

Entendendo a cultura organizacional da empresa

É fundamental que o profissional contratado compreenda a cultura organizacional de seu novo local de trabalho com muita clareza já em seu período de experiência e adaptação. Atividades e ações diárias, além de reuniões, treinamentos e outros tipos de cursos, precisam deixar claro para ele o DNA da empresa e, mais do que isso, que seja também um atrativo para que ele queira fazer parte do time.

Para Edgar Schein, um dos fundadores do conceito, a cultura organizacional deve reunir valores, crenças e também o conjunto de ações que devem ser tomados em busca do objetivo comum da companhia.

A cultura também preza pelo bem estar dos envolvidos, pois nos tempos atuais é imprescindível que haja retenção de talentos. Quanto mais engajado e envolvido estiver o profissional, mais feliz ele estará em colaborar nos negócios porque sabe que também obterá sucesso para si no processo.

Ainda assim, as características de cada empresa moldam os funcionários e a maneira como eles vão agir no dia a dia, atuando diretamente na renda e nos lucros dos negócios.

O grande desafio é manter a equipe enquanto equipe. Fazê-los funcionar como um time, mas de forma que saibam que não estão em casa. O funcionário não pode fazer o que bem entender, nem tomar decisões unilaterais ou comportar-se de maneira contrária ao que é proposto no ambiente de trabalho, mesmo que ele já se sinta completamente à vontade onde está.

Como o profissional de RH deve intervir?

Em família, algumas disputas acontecem com frequência: será que os pais preferem determinado filho? Será que um dos irmãos recebe mais elogios e recompensas do que o outro? Algumas brincadeiras de cunho íntimo são aceitáveis?

É muito importante que o profissional de RH deixe claro para os novos colaboradores assim que chegam à empresa como se comportam os que já atuam no local. Investir tempo em um bom bate papo sobre ética e colaboração, por exemplo, explanando o que é ou não aceitável, é de igual importância.

Uma cultura formada por pessoas focadas e dedicadas deve também permitir a valorização de cada profissional por igual, de acordo com seus méritos, sem permitir que eles se comparem entre si por ações diferentes. A cultura organizacional que preza o mérito e o apoio aos que se dedicam mais não pode viver de promessas vazias ou de demorada execução, para que o  funcionário não se sinta desmotivado ou “trocado” por outro.

Gestão de empresas por familiares

Em se tratando de Brasil, segundo Wellington Moreira, 90% das empresas são dirigidas por parentes e familiares. Embora a metáfora que inclui todos os colaboradores contratados após a fundação também fazem parte dessa família seja linda, ela não é real.

É fundamental que o departamento de RH deixe claro e promova ações culturais que mostrem que, durante o processo diário da empresa, até mesmo os membros que possuem grau de parentesco devem agir como um time, em busca de um mesmo objetivo. Longe dali devem permanecer as particularidades de casa e a picuinhas pessoais.

Frisando, embora um ambiente saudável, divertido e confortável seja um excelente meio de tocar negócios, sentir-se “em casa” só é permitindo se você realmente estiver na sua.

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