Atuando há mais de trinta anos em consultoria de gestão de pessoas e mapeamento de processos, em médias e grandes organizações (especialmente em corporações globais), deparamos com inúmeros CEO/Presidente, Vice-Presidentes e Diretores, onde a tônica o discurso é busca de resultados sustentáveis para os negócios, e principalmente, o crescimento da empresa.
Já deparamos com situações extremamente difíceis e espinhosas, especialmente assessorando empresas nacionais e globais em decisões como fechamento de fábricas, mudanças de operações ou localidades, demissões de um grande contingente de colaboradores, dimensionamento do quadro, revisão dos custos de pessoal etc., ou seja, medidas antipáticas, severas e dolorosas para todos envolvidos neste processo decisório, todavia tais medidas muitas vezes é a única forma de sobrevivência da organização.
Em nossas aulas de pós-graduação no módulo de Gestão de Pessoas que ministramos, os alunos questionam essa postura quando comentamos esses cases, ou seja, indagam “Professor o senhor não é Profissional de RH? Sim sou profissional de RH, mais os profissionais da área também tomam essas decisões extremamente difíceis dentro das organizações. Essas decisões fazem parte do dia a dia da empresa, pois além de sermos o fiel da balança entre o equilíbrio das equipes/pessoas e as demandas da empresa, precisamos ter uma visão de negócio, conhecer a fundo as estratégias da empresa, visando direcionar nossas ações dentro da área de Recursos Humanos, para conseguir um desenvolvimento sustentável das organizações.
Muitas vezes deparamos nas estruturas das empresas com o tal “RH Romântico”, com muita perfumaria e sem foco em resultados e nada aderente ao negócio e totalmente desconectado com a realidade empresarial e mundial dos negócios. Não é esse RH que fizemos quando era Executivo de RH, e também como Consultor, pois RH tem que trabalhar de forma aderente aos resultados das empresas, e ter uma visão muita focada em negócio.
Nesse momento de decisões difíceis não devemos em nenhum momento ir pelo caminho do achismo ou intuição, mas precisamos sim ter medidas analíticas confiáveis (como eu gosto de dizer precisamos da boa matemática e estatística aplicada aos negócios), que agora chamam de “People Aanalytics” ou ainda de “Inteligência Artificial (IA)”. Em termos mais simples, a inteligência artificial (IA) refere-se a sistemas ou máquinas que imitam a inteligência humana para executar tarefas e podem se aprimorar iterativamente com base nas informações que coletam. Necessitamos de análise da dados confiáveis, principalmente para eliminar possíveis dúvidas e minimizar os impactos na tomada de decisão nos negócios.
Tanto a matemática e a estatística são informações frias que devemos esquentá-las, sendo referenciais de suma importância para o processo decisório. Hoje encontramos nas empresas os Cientistas de Dados, que normalmente são profissionais da área de Tecnologia da Informação, mas com forte conhecimento ou formação na área de exatas, especialmente as duas áreas citadas, que trabalham muito com essa gama de informações que estão disponíveis nas empresas, tanto nas informações dos colaboradores como dos clientes, e principalmente dos processos da empresa. É uma massa de dados incrível, e devemos saber utilizá-la para trazer vantagem competitiva e resultados surpreendentes para empresa.
Assim o profissional de RH tem que trabalhar desde a questão comportamental, com as inteligências emocionais e relacionais, como questões avançadas da inteligência artificial e o people analytics. De um lado a questão humana e do outro a questão de saber melhor utilizar as informações que a máquina nos proporciona. O desafio não é fácil e simples, mas está aí disponível para que todos façam o melhor que puder no seu dia a dia dentro da área de Gestão de Pessoas.
Antonio Carlos Cruz, Professor em cursos de pós-graduação, Consultor e Diretor da ARON Consultoria. Contato: [email protected]
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